Mais uma recordação de outros tempos, envolvendo Sousa Cintra, Bobby Robson e Pinto da Costa.
Sir Bobby Robson tinha sido despedido do Sporting por Sousa Cintra, que preferiu contratar Carlos Queirós para conquistar o título de 1993/94. Tudo lhe saiu ao contrário.
Meses antes, no verão quente de 1993, desviou Paulo Sousa e Pacheco ao Benfica e perdeu praticamente o campeonato no celebre jogo dos 6-3 em Alvalade. Sir Bobby Robson já tinha rumado às Antas durante a época.
A azia não ficou por aí, na época seguinte, com Carlos Queirós desde o início da temporada e, Sir Booby Robson também ao comando do FC Porto desde o início, Sousa Cintra viu os portistas sagrarem-se campeões em pleno Estádio de Alvalade.
E porque recordar é viver, aqui fica um resumo de um duelo de outros tempos entre duas excelentes equipas, comandadas também dentro de campo por dois autênticos maestros.
😆Quem se lembra?!,...faz hoje 30 anos desse célebre jogo num Estádio da Luz com mais de 121 mil espectadores. Quarta-feira, 18 de Abril de 1990 e o Estádio da Luz à cunha para um jogo inesquecível do Benfica, em que a mão de Vata (que continua afirmando que o golo foi com o peito) qualificou o Benfica para a final da Taça dos Campeões europeus de 1990 frente ao AC Milan. Ficha do jogo, aqui.
O Benfica tinha perdido em França por 2-1 no jogo da primeira mão.
Bernard Tapie dominava os 'bastidores do futebol' da altura mas na Luz saiu-lhe o tiro pela culatra.
Em baixo, os jogos das meias finais, resumos/reportagens e a final frente ao poderoso AC Milan. Deixo também um post delicioso de António Boronha no seu blogue, em que o mesmo conta que se cruzou com o árbitro da partida a seguir ao numa boîte de meninas - Elefante Branco. O Marselha na altura tinha um presidente corrupto, que comprava tudo e todos mas nessa noite fodeu-se, literalmente.
Ora acontece que eu, na altura 'presidente' de um clube que (já) liderava isolado a 'zona sul' da 2ª. divisão, o 'farense', acabei por ter tido uma relação um pouco estranha e absolutamente casual com tudo o que se passou nessa noite, no velho 'estádio da luz'. várias peças soltas e desirmanadas que se juntaram, num espaço de horas entre o início da noite e as 4 da manhã, acabando por formar um mosaico, para mim, inesquecível.
primeiros os elementos isolados:
- por intermédio de álvaro braga júnior, hoje presidente do 'boavista' e à época 'director desportivo' do 'farense' - sim! a partir de finais de '80' o 'farense' tinha na sua orgânica o cargo de 'dd'! - eu era talvez uma das poucas pessoas no país que já tinha chegado à fala com o árbitro indicado para a partida, o belga marcel langenhove;
- fui convidado para assistir ao prélio, acompanhado de um v/p do meu clube, luís baptista mais tarde presidente da 'arbitragem', no camarote presidencial do 'benfica'. remeteram-nos para a zona dos não afectos às cores da casa onde desfrutei da companhia do então presidente do 'sporting', josé de sousa cintra, e meia dúzia de pessoas ligadas ao 'marselha', elementos da embaixada de 'frança', julgo;
- festejei, moderadamente, o golo de vata no meio da enorme euforia que se vivia naquelas paragens, excepção feita aos 'franciús' e...ao zé sousa cintra que arrepanhava os (poucos) cabelos que tinha, perguntando-se, 'como é que tinha sido possível tamanha injustiça?...a do 'benfica' ir à final da 'champions'!!!;
- terminado o jogo, eu e o luís, resolvemos ir à 'baixa' comer qualquer coisa tendo durante o percurso ouvido no rádio do carro que o golo do 'benfica' tinha sido marcado com a mão, como, diziam, as imagens televisivas mostravam. foi a primeira vez que tomámos conhecimento de tal possibilidade!
- a euforia encarnada - e o paraíso cavaquista que então se vivia à custa dos dinheiros de bruxelas - tinham enchido por completo a maioria dos restaurantes da 'baixa' lisboeta. arrajámos lugar na 'lagosta real' onde quem lá estava(?) era sousa cintra (de novo) em animado convívio com o autarca mor de 'aljezur', na costa vicentina. (sousa cintra nunca brincava em serviço!);
juntemos agora estes elementos soltos, num só.
terminado o repasto e tendo jsc tratado dos 'negócios' que tinha a tratar zarpámos, os três, para 'lavar a vista' e beber um 'whisquinho' no, onde é que poderia ser?, 'elefante branco'.
quem lá estava, para além de uma enorme multidão?
a equipa de arbitragem chefiada por langenhove, césar correia e alder dante, que os acompanhavam, e dois funcionários do 'benfica', sendo um deles...loura e bonitinha...
quando me dirigi à mesa para os cumprimentar, marcel puxou-me de lado e perguntou-me:
- oiça lá, o golo foi com a mão?...
- tentando meter água na fervura, respondi-lhe que estivesse tranquilo, pois só muito depois de ter saído do estádio e ter tido conhecimento do que as imagens revelavam é que eu próprio me apercebera de tal possibilidade. daí ele poder ficar sem qualquer peso na consciência pois se algo de irregular houvera tinha sido algo que humanamente lhe escapara, como a milhares que assistiam ao jogo no estádio.
aproveitei ainda o momento para lhe apresentar o presidente do 'sporting', pessoa com quem se poderia vir a cruzar no futuro, o qual não perdeu a oportunidade para enquanto lhe apertava a mão dizer em português: ' vocês (árbitros) são todos iguais! sempre a gamar para o lado do 'benfica'!
depois desta tirada resolvi sair pela esquerda baixa e...ir para a cama. sozinho.
Antes da segunda metade da década de 80 a convivência entre os dois clubes pautava-se pelo respeito
Fernando Martins e Pinto da Costa, presidentes de Benfica e FC Porto, em 1986
A rivalidade entre FC Porto e Benfica há muito que deixou de ser saudável, mas nem sempre foi assim. Antes da segunda metade da década de 80, a convivência entre os dois clubes pautava-se pelo respeito e a história diz-nos isso mesmo. Recorde agora alguns desses momentos.
Inauguração do Estádio das Antas
Inauguração das Antas em 1952
O FC Porto inaugurou o Estádio das Antas a 28 de maio de 1952, numa cerimónia que contou com a presença de cerca de 50 mil pessoas, entre as quais Pinto da Costa, atual presidente dos dragões, que ainda hoje guarda um lenço comemorativo do jogo. O convidado de honra foi o... Benfica, que não 'participou' na festa e venceu por uns claros 8-2. Os encarnados levantaram assim o troféu General Craveiro Lopes, que pesava 18 kg. Há quem diga que o célebre 'Carrega Benfica' vem mesmo daí...
Vingança na... LuzPouco mais de dois anos depois, foi o FC Porto a ser convidado para a inauguração do Estádio da Luz. Estávamos a 1 de dezembro de 1954. Talvez como desforra pela goleada do rival na inauguração das Antas, os dragões estragaram a festa e ganharam por 3-1. Durante a cerimónia, o Presidente da República, o General Craveiro Lopes (já tinha estado na inauguração do Dragão), condecorou o Benfica com a medalha de mérito desportivo.
A jogar em casa do rivalCom o Estádio das Antas interdito por um jogo, devido aos incidentes em Hamburgo (1975/76) - em que alguns jogadores (Oliveira, Tibi, Gabriel e Dinis) protestaram com o árbitro húngaro Somlai pelo penálti que viria a originar o 2-0 dos alemães -, a 8 de setembro de 1976 o FC Porto defrontou o Schalke 04 na Luz.
Apesar de Alvalade estar à disposição - os leões tinham falhado o acesso às competições europeias -, a escolha recaiu mesmo no recinto do Benfica e, perante cerca de trinta e cinco mil pessoas, os dragões empataram frente ao Schalke 04, para a Taça UEFA. Rodolfo Reis e Cubillas marcaram para os portugueses, enquanto Klaus Fischer bisou para os alemães. Na 2.ª mão, a equipa de José Maria Pedroto viria a perder por 3-2, sendo por isso eliminada da prova.
Benfica e FC Porto em 1985, na Luz
Terceiro anel fechadoJá em 1985, com os 220 mil contos da transferência de Chalana para o Bordéus, o Benfica presidido por Fernando Martins fecha o Terceiro Anel e amplia o estádio para uma capacidade de 120 mil pessoas, muitas vezes ultrapassada. O convite para a inauguração é endereçado ao FC Porto e ainda aos romenos do Dínamo Bucareste. O jogo com os dragões termina 0-0.
Na ressaca dos 7-1 A 17 de setembro de 1986, depois de ser goleado por 7-1 em Alvalade, o Benfica desloca-se às Antas para comemorar a inauguração do rebaixamento do estádio. Nas bancadas, 70 mil pessoas assistem ao empate com golos de Gomes e Chiquinho Carlos (grande jogada individual). No desempate por penáltis, Mlynarczyk deu a vitória ao FC Porto.
A data fica ainda assinalada pela homenagem póstuma a José Maria Pedroto (campeão nacional como jogador e treinador), através do descerramento de uma placa com a sua imagem.
Mais uma daquelas memórias engraçadas de um enorme jogador que chegou ao Sporting em 1999 (poucos meses após ser campeão europeu com o Manchester United numa final de loucos, rever, aqui) e foi peça fundamental na conquista do título 18 anos depois.
Mais um artigo polémico de Rui Santos e, não,...nunca estarei com bandidos que entram em sites de entidades públicas, muito menos nos da justiça do nosso País. Sejam eles o Rui Pinto ou sejam eles funcionários judiciais para seu uso pessoal e dos 'amiguinhos' mais próximos.
A revogação da medida de coacção de prisão preventiva aplicada a Rui Pinto há pouco mais de um ano, substituída agora pela medida de obrigação de permanência na habitação, é uma má notícia para o sistema em que assenta o futebol.
Quanto melhor funcionar a organização global e local do Futebol - com aplicação das leis e dos regulamentos criados em jurisdição própria e específica - menos razões existiriam para a entrada em cena de Rui Pinto.
A entrada em cena de Rui Pinto correspondeu à denúncia da falência do sistema de organização do futebol, protegido até aos dentes por poderes difíceis de desinstatalar, porque protegem uma espécie de ‘bem comum’, sufragado pela emoção do jogo e pela militância clubística.
Se houvesse uma indómita vontade política de combater a média e grande criminalidade, talvez fosse menor ou inexistente o impulso de compilação do Football Leaks e do Luanda Leaks.
Diz o despacho judicial que Rui Pinto "inverteu a sua postura, apresentando agora um sentido crítico e uma disponibilidade para colaborar com a Justiça".
Segundo é público, ‘colaborar com a Justiça’ significa facilitar o acesso aos dez discos rígidos encriptados que lhe haviam sido apreendidos.
É legítimo concluir que o conteúdo desses dez discos rígidos pode afectar a nomenclatura em que assenta o futebol e as suas próprias fundações. E até pode criar pânico.
Haverá muitos protagonistas, relacionados com a alta finança do Futebol, que têm razões para não estar tranquilos.
Defendem aqueles que têm a noção de poder ser afectados pelas revelações tornadas possíveis por Rui Pinto, até agora escondidos atrás do muro sistémico que os protege, o perigo constituído pelo facto de, ao aplaudir o modus operandi do génio informático, se estar a legitimar o acesso indiscriminado à privacidade de pessoas singulares e colectivas. Não é isso que está em causa, na versão - como lhe chamar? - mais minimalista. Não está em causa a liberalização da espionagem electrónica uns dos outros, embora essa espionagem - de uma forma mais sofisticada e silenciosa - já faça parte do dia-a-dia, noutros patamares, das sociedades modernas.
Ninguém em consciência pode aplaudir acessos ilegítimos e violações de correspondência.
Como ninguém poderia tolerar, noutra escala, mesmo em tempo de estado de emergência e de perigo de contaminação, que pedófilos e homicidas fossem libertados das prisões.
O que está em causa é a grande criminalidade, que os mecanismos tradicionais de investigação muitas vezes não alcançam. Neste particular, a existência de whistleblowers pode ser muito útil às sociedades e à alteração de alguns dos seus paradigmas sócio-políticos.
Este não é um problema de esquerda ou direita.
Este é um problema de, à esquerda ou à direita, se perceber que pactuar com a grande criminalidade económica causa dano às sociedades e acentua os desequilíbrios e as injustiças.
Acresce que esta alteração às medidas de coacção aplicadas ao arguido Rui Pinto acontecem em pleno estado de emergência, em Portugal.
Não deixa de ser curioso que o próprio despacho da juíza sublinha que "as fronteiras encontram-se sujeitas a elevados controlos devido a pandemia, o que por si reduz o perigo de fuga", pelo que se pode inferir que a ‘Covid-19’ veio em socorro de Rui Pinto. Não foi um vírus informático; foi o coronavírus - e isso, ironicamente, vai ficar para a estória do processo.
Já todos percebemos que o pós-Covid-19 lançou pessoas e empresas no desconhecido e, neste momento, mais do que a gestão económica, prevalece a dificuldade da gestão das angústias e da sanidade mental.
O futebol estava numa bolha financeira e o futebol português também.
Se, no que liga Rui Pinto ao Futebol, este não é um problema de esquerda ou direita (politicamente), a temática que lhe está subjacente e fundamentalmente as soluções para o futuro também não é um problema do Benfica ou do FC Porto. É um problema de todos.
A clubitização desta questão é apenas uma tentativa, menor, de passa-culpas. E, mais uma vez, de exploração da emocionalidade e das preferências clubísticas que ‘cegam’ os adeptos.
O futebol em Portugal (como noutros países) estava a viver artificialmente e bastou um mês de paragem para haver recursos abusivos ao lay-off, mesmo antes de se tentarem achar soluções bilaterais, com eventual moderação dos sindicatos, no caso dos jogadores.
Os clubes têm de repensar se este modelo de serem apenas, na área financeira, as sedes que gerem exclusivamente a entrada e saída de dinheiro, sem qualquer preocupação em constituir reservas, é, na verdade, o que faz sentido. Esta crise veio provar que não.
O futebol, no seu modelo actual, estava a rebentar pelas costuras, a entrada em vigor do fair-play financeiro foi o sinal de que era preciso conter os excessos e, portanto, esta pandemia (a assinalar mais de 100 000 mortes no Mundo) apenas veio acelerar o imperativo de mudança.
Como escrevia aqui há uma semana, não faz sentido que em Portugal se tenham gasto numa época mais de 80M€ em custos de intermediação de transferências.
Os clubes e os seus dirigentes nunca souberam explicar - a FIFA e a UEFA também não - por que razão os intermediários são tão necessários nas operações de transferência.
Defendo há muito um mecanismo completamente diferente que pressupõe mais verdade e transparência nas relações inter-clubes.
A organização do futebol vai ter mesmo de mudar e esta desgraça da pandemia vai talvez trazer algo de bom no futuro: a substituição das lógicas de antanho e provavelmente a substituição progressiva de velhas mentalidades por uma visão mais despoluída e menos comprometida com esquemas que o Football Leaks já denunciou.
Nessa transformação, Rui Pinto é agente e reagente. Amigo da mudança e da limpeza. E, nessa medida, por um futebol mais saudável, e só por isso, estamos contigo.
Esta última final da Taça dos Campeões Europeus que o Benfica disputou, foi uma final injustamente mal perdida. Foi Veloso que ficou mal na fotografia e tinha sido um dos melhores em campo.
O que muitos não sabem, é que Manuel Bento (já com 40 anos) foi chamado para entrar quando se vislumbrou que essa final iria a penalties. Não aceitou, achou injusto para com Silvino e apenas disse que o que poderia fazer era ir para trás da baliza aconselhar o colega e, caso fosse permitido. Mas nem isso foi possível.
RIGOROSAMENTE confinado em casa há mais de uma semana por força da pandemia que o escritor franco-libanês Amin Maalouf, autor do celebrado O Naufrágio das Civilizações, considera «um dos acontecimentos mais extraordinários de todos os tempos» (disse-o em entrevista ao jornal I), não deixo por isso de seguir os jornais e as televisões (portugueses e estrangeiros) que fazem parte do meu dia a dia há uma eternidade. Por causa da singularidade deste momento excecional - o Mundo parado a combater em casa (!) um inimigo invisível … mas terrivelmente manhoso e maléfico - a minha coleção de primeiras páginas com história aumenta a um ritmo vertiginoso e nela encontram-se muitas de jornais nacionais: imaginação e criatividade não faltam aos nossos designers e aproveito para saudar os de A BOLA, que têm produzido com a regularidade dos eleitos primeiras páginas de classe mundial. A todos eles um forte abraço virtual enquanto não nos reencontramos no sítio do costume.
Escrevo este texto de olhos postos nos sites dos jornais ingleses a acompanhar a preocupante situação clínica do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, um dos líderes europeus com maior taxa de aprovação popular na gestão da pandemia: 55% dos britânicos apreciam o que ele tem feito. Boris apareceu nesta segunda-feira na capa do jornal madrileno ABC ao lado de cinco parceiros continentais e respetivas taxas de aprovação: o francês Emmanuel Macron (39%), o espanhol Pedro Sanchez (apenas 27%), a teutónica Angela Merkel (63%), o italiano Giuseppe Conte (com uns surpreendentes 71%) e o nosso António Costa, que rebenta a escala com 75% de aprovação dos portugueses (o correspondente do ABC baseou-se na recente sondagem do Expresso). Aqui está um ranking em que vale a pena estar na frente; e há outros, mais importantes, em que estamos igualmente bem posicionados. Até agora os números da pandemia indicam que Portugal - quer dizer: os portugueses - tem respondido à crise e ao que lhes foi pedido com um civismo primeiro mundista. Pois. Quando vemos o que aconteceu em Espanha e Itália, nos Estados Unidos e até mesmo em França…
Agora que o lay-off começa a ser notícia também no futebol doméstico, volto à Inglaterra de Alexander Boris de Pfeffel Johnson (é mesmo o nome dele, assim como Nova Iorque a cidade que o viu nascer), onde o meu Liverpool é notícia por más razões. A direção do clube colocou todos os seus funcionários extra-futebol num regime semelhante ao lay-off (estado paga 80% dos ordenados, clube assegura 20%) aproveitando as condições especiais concedidas pelo governo de Boris a pensar nas empresas em dificuldade. Ora o Liverpool está muito longe de ser uma pequena ou média empresa com a corda na garganta. É um clube rico e poderoso que apresentou nos últimos dois anos lucros de 167 milhões libras (190 milhões euros). É verdade que houve outros que fizeram o mesmo - Tottenham, Newcastle, Bournemouth e Norwich - mas não deixa, no caso do Liverpool, de ser um oportunismo indecente; que foi imediatamente criticado por figuras históricas do clube, com o antigo e grande capitão Jamie Carragher à cabeça, e que vai contra tudo o que é o espírito que o visionário Bill Shankly (um abraço ao Paulo Teixeira Pinto) instituiu naquele clube: o de uma família unida e solidária com uma ética de trabalho, uma ligação aos adeptos e uma consciência cívica exemplares; uma maneira muito especial de estar no futebol de que o próprio Jurgen Klopp tem sido um excelente porta-estandarte. Shame on you por essa chico espertice, John William Henry, magnata americano dono do Liverpool! Imagino o desgosto de Kenny Dalglish, Ian Rush, Alan Hansen, Steven Gerrard…
VIVA O GOLO
Falemos então do desporto-rei. Tenho saudades de ver jogos, competição, estádios cheios. Tenho saudades de ver e escrever: golo. Golo é o momento e a palavra mais importante do futebol. Quem os marca tem sempre o lugar garantido no onze e nas manchetes. Gostaria por isso de lembrar os futebolistas portugueses que mais golos tinham marcado até à chegada do maldito vírus. Consultem o quadro anexo e encontrarão no pódio, além do suspeito do costume (o líder Cristiano Ronaldo, com um total de 36 golos - 25 pela Juventus mais 11 pela Seleção), dois médios amigos que partilham, além do pé quente, nomes próprios e apelidos. Um joga no Benfica, chama-se Luís Miguel Fernandes (alcunha: Pizzi) e vai com 27 golos. O outro jogava no Sporting (foi para o Manchester United), chama-se Bruno Miguel Fernandes e vai com 19 golos. Dificilmente estes dois médios impedirão Cristiano de se sagrar rei dos marcadores portugueses pela 13.ª vez em 14 épocas, mas isso não deslustra aquilo que têm feito.
Lembro que em maio do ano passado Bruno Fernandes, com a camisola do Sporting, tornou-se o primeiro jogador português desde 2006 (Pauleta, PSG; 38 golos) a terminar uma época com mais golos que Ronaldo (32-31). E não só: tornou-se também o médio mais goleador da história do futebol europeu, suplantando as cifras do inglês Frank Lampard. Pizzi, embora aquém do brilhantismo do novo líder dos red devils, tem sido o BF desta época pela quantidade de golos decisivos e pela regularidade com que tem salvo o Benfica de apertos. O médio benfiquista está a cinco golos do recorde do amigo Bruno e a seis de atingir a vintena no campeonato que Bruno conseguiu na época passada. Conseguirá lá chegar? Bem, quando o vírus surgiu o Benfica vivia uma crise danada (uma vitória em oito jogos) que já nem os golos e assistências de Pizzi (que até falhou penáltis em dois jogos seguidos…) conseguiam disfarçar. Veremos o que mudou quando (e se) o futebol regressar.
Pizzi sabe que tem mais onze jogos certos para marcar golos (dez no campeonato e a final da Taça de Portugal), contra um mínimo de 11 jogos de Bruno Fernandes (Premier: 9 ; Taça de Inglaterra: 1; Liga Europa: 1) e um mínimo de 14 jogos de Cristiano (serie A: 12; Taça de Itália: 1; Champions: 1). Se tudo correr pela normalidade, Cristiano, com 35 anos, ultrapassará mais uma vez a barreira dos 40 golos e Pizzi terminará como vice do juventino. Não custa adivinhar que o SC Braga terá dois jogadores com 20 ou mais golos na lista - são eles Ricardo Horta (tem 19) e Paulinho (18) -, podendo os gémeos goleadores Marco e Flávio Paixão (o primeiro na Turquia, o segundo na Polónia) atingir também essa marca. Quando penso na carreira destes dois trintões e na quantidade de golos que continuam a marcar época após época, cada vez me custa mais perceber por que razão nunca tiveram uma chance na Seleção…