quarta-feira, 8 de abril de 2020

SAUDADES DE GOLO




RIGOROSAMENTE confinado em casa há mais de uma semana por força da pandemia que o escritor franco-libanês Amin Maalouf, autor do celebrado O Naufrágio das Civilizações, considera «um dos acontecimentos mais extraordinários de todos os tempos» (disse-o em entrevista ao jornal I), não deixo por isso de seguir os jornais e as televisões (portugueses e estrangeiros) que fazem parte do meu dia a dia há uma eternidade. Por causa da singularidade deste momento excecional - o Mundo parado a combater em casa (!) um inimigo invisível … mas terrivelmente manhoso e maléfico - a minha coleção de primeiras páginas com história aumenta a um ritmo vertiginoso e nela encontram-se muitas de jornais nacionais: imaginação e criatividade não faltam aos nossos designers e aproveito para saudar os de A BOLA, que têm produzido com a regularidade dos eleitos primeiras páginas de classe mundial. A todos eles um forte abraço virtual enquanto não nos reencontramos no sítio do costume.

Escrevo este texto de olhos postos nos sites dos jornais ingleses a acompanhar a preocupante situação clínica do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, um dos líderes europeus com maior taxa de aprovação popular na gestão da pandemia: 55% dos britânicos apreciam o que ele tem feito. Boris apareceu nesta segunda-feira na capa do jornal madrileno ABC ao lado de cinco parceiros continentais e respetivas taxas de aprovação: o francês Emmanuel Macron (39%), o espanhol Pedro Sanchez (apenas 27%), a teutónica Angela Merkel (63%), o italiano Giuseppe Conte (com uns surpreendentes 71%) e o nosso António Costa, que rebenta a escala com 75% de aprovação dos portugueses (o correspondente do ABC baseou-se na recente sondagem do Expresso). Aqui está um ranking em que vale a pena estar na frente; e há outros, mais importantes, em que estamos igualmente bem posicionados. Até agora os números da pandemia indicam que Portugal - quer dizer: os portugueses - tem respondido à crise e ao que lhes foi pedido com um civismo primeiro mundista. Pois. Quando vemos o que aconteceu em Espanha e Itália, nos Estados Unidos e até mesmo em França…

Agora que o lay-off começa a ser notícia também no futebol doméstico, volto à Inglaterra de Alexander Boris de Pfeffel Johnson (é mesmo o nome dele, assim como Nova Iorque a cidade que o viu nascer), onde o meu Liverpool é notícia por más razões. A direção do clube colocou todos os seus funcionários extra-futebol num regime semelhante ao lay-off (estado paga 80% dos ordenados, clube assegura 20%) aproveitando as condições especiais concedidas pelo governo de Boris a pensar nas empresas em dificuldade. Ora o Liverpool está muito longe de ser uma pequena ou média empresa com a corda na garganta. É um clube rico e poderoso que apresentou nos últimos dois anos lucros de 167 milhões libras (190 milhões euros). É verdade que houve outros que fizeram o mesmo - Tottenham, Newcastle, Bournemouth e Norwich - mas não deixa, no caso do Liverpool, de ser um oportunismo indecente; que foi imediatamente criticado por figuras históricas do clube, com o antigo e grande capitão Jamie Carragher à cabeça, e que vai contra tudo o que é o espírito que o visionário Bill Shankly (um abraço ao Paulo Teixeira Pinto) instituiu naquele clube: o de uma família unida e solidária com uma ética de trabalho, uma ligação aos adeptos e uma consciência cívica exemplares; uma maneira muito especial de estar no futebol de que o próprio Jurgen Klopp tem sido um excelente porta-estandarte. Shame on you por essa chico espertice, John William Henry, magnata americano dono do Liverpool! Imagino o desgosto de Kenny Dalglish, Ian Rush, Alan Hansen, Steven Gerrard…

VIVA O GOLO

Falemos então do desporto-rei. Tenho saudades de ver jogos, competição, estádios cheios. Tenho saudades de ver e escrever: golo. Golo é o momento e a palavra mais importante do futebol. Quem os marca tem sempre o lugar garantido no onze e nas manchetes. Gostaria por isso de lembrar os futebolistas portugueses que mais golos tinham marcado até à chegada do maldito vírus. Consultem o quadro anexo e encontrarão no pódio, além do suspeito do costume (o líder Cristiano Ronaldo, com um total de 36 golos - 25 pela Juventus mais 11 pela Seleção), dois médios amigos que partilham, além do pé quente, nomes próprios e apelidos. Um joga no Benfica, chama-se Luís Miguel Fernandes (alcunha: Pizzi) e vai com 27 golos. O outro jogava no Sporting (foi para o Manchester United), chama-se Bruno Miguel Fernandes e vai com 19 golos. Dificilmente estes dois médios impedirão Cristiano de se sagrar rei dos marcadores portugueses pela 13.ª vez em 14 épocas, mas isso não deslustra aquilo que têm feito.

Lembro que em maio do ano passado Bruno Fernandes, com a camisola do Sporting, tornou-se o primeiro jogador português desde 2006 (Pauleta, PSG; 38 golos) a terminar uma época com mais golos que Ronaldo (32-31). E não só: tornou-se também o médio mais goleador da história do futebol europeu, suplantando as cifras do inglês Frank Lampard. Pizzi, embora aquém do brilhantismo do novo líder dos red devils, tem sido o BF desta época pela quantidade de golos decisivos e pela regularidade com que tem salvo o Benfica de apertos. O médio benfiquista está a cinco golos do recorde do amigo Bruno e a seis de atingir a vintena no campeonato que Bruno conseguiu na época passada. Conseguirá lá chegar? Bem, quando o vírus surgiu o Benfica vivia uma crise danada (uma vitória em oito jogos) que já nem os golos e assistências de Pizzi (que até falhou penáltis em dois jogos seguidos…) conseguiam disfarçar. Veremos o que mudou quando (e se) o futebol regressar.

Pizzi sabe que tem mais onze jogos certos para marcar golos (dez no campeonato e a final da Taça de Portugal), contra um mínimo de 11 jogos de Bruno Fernandes (Premier: 9 ; Taça de Inglaterra: 1; Liga Europa: 1) e um mínimo de 14 jogos de Cristiano (serie A: 12; Taça de Itália: 1; Champions: 1). Se tudo correr pela normalidade, Cristiano, com 35 anos, ultrapassará mais uma vez a barreira dos 40 golos e Pizzi terminará como vice do juventino. Não custa adivinhar que o SC Braga terá dois jogadores com 20 ou mais golos na lista - são eles Ricardo Horta (tem 19) e Paulinho (18) -, podendo os gémeos goleadores Marco e Flávio Paixão (o primeiro na Turquia, o segundo na Polónia) atingir também essa marca. Quando penso na carreira destes dois trintões e na quantidade de golos que continuam a marcar época após época, cada vez me custa mais perceber por que razão nunca tiveram uma chance na Seleção… 

DESCANSE EM PAZ

Não podia deixar de fazer uma pequena homenagem a um homem que partiu esta semana e deixou marca no futebol, em especial no Atlético de Madrid onde conseguiu a dobradinha em tempos difíceis. Um verdadeiro Senhor! Que descanse em Paz.

terça-feira, 7 de abril de 2020

JOÃO PINTO AGREDIU O ÁRBITRO NO MUNDIAL 2002?!

Os mais jovens já não se lembram, mas o mundial da Coreia/Japão em 2002 foi devastador para a nossa selecção a todos os níveis. Há muitas 'estórias' que ainda iremos abordar neste espaço, mas esta em baixo fez correr muita tinta. 

Agrediu ou não João Pinto o árbitro da partida? 

Na minha opinião, sim!...não é aquele soco bem dado como costumamos dizer, mas o João foi de mão fechada para Ángel Sánchez e deu-lhe um chega para lá de mão fechada. 

Em baixo, um post do blogue do amigo António Boronha, vice-presidente da FPF na altura desse mundial. Saudades deste blogue...! 



[gostei de ouvir joão pinto dizer, com frontalidade, o que pensa sobre a chamada de 'nacionalizados' às selecções nacionais e, completamente a despropósito, veio-me à memória a cena que o envolveu a ele, e noutro plano a mim, naquela que foi talvez a última 'participação' dos dois em terrenos da equipa de todos nós.]
falo da agressão ao árbitro sul-americano ángel sánchez.

como se lembram disputávamos contra a equipa da casa, a 'coreia do sul', a nossa passagem aos oitavos do 'mundial' de 2002 (muito antes do fim ficámos a saber que, com um empate, passaríamos os dois em virtude da derrota pesada que os estados unidos sofriam frente à polónia)
aos 27 minutos da primeira parte o joão pinto é expulso por entrada violenta sobre um jogador coreano. na 'discussão' que se seguiu, do banco, assistimos com alguma surpresa ao conforto que jorge costa e fernando couto procuravam prestar...ao árbitro!, não ao companheiro expulso, o que teria sido mais natural.

a explicação veio ao intervalo quando o fernando (couto) nos alertou para que nos puséssemos em campo pois o argentino tinha dito alto e em bom som que em virtude da agressão de que tinha sido vítima, da parte de joão pinto, este nunca mais voltaria a jogar à bola pois seria irremediavelmente irradiado.

perante a gravidade da situação, logo que o jogo terminou, tentámos persuadir o árbitro a ser mais benevolente com a argumentação aplicável à ocasião: os nervos, a importância do jogo, a irreflexão do gesto, etc. foram três cargas utilizadas para o efeito. primeiro, o peso institucional de luís figo...que foi liminarmente expulso da cabine; depois madail e, por fim, eusébio.

nada resultou pois o homem mostrou-se irredutível (veio posteriormente, como contou o próprio joão pinto, a mudar de atitude).
nessa madrugada, já de posse do vídeo oficial, fechámo-nos no gabinete que tínhamos no hotel para analisar a situação e decidir sobre qual seria a estratégia de defesa a seguir pelo nosso departamento jurídico junto da 'fifa'.

desde logo ficou estabelecido negar a agressão! seria palavra contra palavra.

desde que...
as imagens oficiais não revelassem nada daquilo que o juiz da partida afirmava, a pés juntos, ter sucedido.
garanto-lhes que eu, madail, o carlos godinho e julgo que o assessor de imprensa vimos a cena uma boa meia dúzia de vezes, de trás para a frente e da frente para trás, em 'slow' e em 'rápido', de 'toda a maneira e feitio.
nada!

até que, de repente, o presidente da 'federação' exclamou:

'parem o filme!!!...aí! não olhem para o joão mas para a cara do árbitro!'
foi então que se tornou claro que a expressão facial do homem do apito só poderia resultar de um soco que tinha levado ao nível do estômago.

nessa altura telefonaram-me a pedir para ir à recepção pois tinha visitas às 3 da manhã.
eram miguel ribeiro teles - o jp estava no 'sporting' - acompanhado por joaquim oliveira, mais alguém que não recordo o nome ligado ao clube de alvalade e ao 'bes'.

iam saber se tinha havido agressão ou não e, em face disso, tentar articular a defesa do jogador por parte do departamento jurídico verde-e-branco com o nosso.
obtida a autorização de gilberto madail convidei-os a subir para que vissem com os próprios olhos o que pensávamos, todos, teria acontecido.
a situação ficou, a partir daí, clara para os presentes.

embora não para toda a gente.
o principal interveniente, hoje comentador na televisão e em jornais, continuou, creio, a negar o soco.
mais, penso, para tentar manter a coerência sobre como tem sempre dito ter vivido os factos.
e,...valentim loureiro! o único dirigente, de que me recordo, que continuou a bradar aos quatro ventos que o que se tinha passado em 'incheon' não passava de uma encenação mal conseguida, de um árbitro incompetente.

TREINADOR PORTUGUÊS TRI CAMPEÃO

segunda-feira, 6 de abril de 2020

BRUNO LAGE SEM PAPAS NA LÍNGUA

Para quem não teve oportunidade de assistir, aqui fica a entrevista da Bola TV com o treinador do ano 2019. 

  

domingo, 5 de abril de 2020

QUINITO SAI, ARTUR JORGE ENTRA

Outros tempos do futebol português, e como actualmente não há muito para falar sobre o futebol o nosso futebol e, não só, vamos recordando outros tempos em que as reportagens tinha algo de fenomenal. 
Em baixo, dois vídeos para recordar sobre o final da década de 90 no FC Porto.

 

sábado, 4 de abril de 2020

JOÃO PINTO E PAULINHO SANTOS

Hoje, recordo um duelo que fazia faísca no futebol português, através de uma antiga reportagem publicada no jornal record. No fim, tudo acabou em bem (última imagem e parágrafo).


Benfica-FC Porto: 235 confrontos de eterno despique, nervos à flor da pele, emoções ao rubro, rivalidades-mil, nenhuma como esta. A história que une – e separa e volta a unir – João Vieira Pinto e Paulinho Santos não tem par. Dentes partidos, narizes quebrados, olhos negros. Um ódio-fetiche, violento, irracional. Um clássico dentro do clássico. Com bolinha.



Amor à primeira vista

João Vieira Pinto e Paulinho Santos já se tinham defrontado três vezes, com trocas de mimos pelo meio, mas nada que se pareça com o que aconteceu a 24 de agosto de 1994. Aí, o caldo entorna de vez. Benfica e FC Porto empatam na Luz, na 1.ª mão da Supertaça.

O que falta em golos, sobra em expulsões. Cinco-vermelhos-cinco, o último para João Pinto, que espera pelo minuto 89 para retribuir um carinho de Paulinho. De nariz partido pelo próprio portista, responde na mesma moeda: isso mesmo, parte-lhe o nariz (!).


João Pinto é operado, dias depois, a uma fratura do nariz com desvio do cepto nasal. O Benfica lamenta "umas porradas valentes de Paulinho Santos" no ‘Menino d'ouro’ e ainda uma ferida na tíbia, ou melhor, um "autêntico buraco na perna do Tavares", provocado por "uma pancada que furou a caneleira de carbono" do médio, segundo comunicaram as águias.


O FC Porto não faz por menos: "André, José Carlos e Kostadinov saíram do jogo com traumatismos violentos", acusam os dragões, sustentados no fair-play de Bobby Robson. "João Pinto? É fantástico! Sacou sete cartões nos últimos jogos e por isso é que tem de ser bem marcado durante o jogo… Mas o que ele fez não se faz! O Paulinho tem o nariz fracturado e dois dentes partidos!", denuncia o lendário inglês.


"Não sou maluquinho!"
Marcado pela agressão de Paulinho Santos, João Vieira Pinto não contém a fúria. Explica-se aos jornalistas, pede desculpa pelo seu comportamento, mas lembra que quem não se sente não é filho de boa gente...

"As pessoas viram o que se passou… Eu não sou maluquinho para dar uma cotovelada em alguém sem mais nem menos! O fiscal viu a agressão do Paulinho, minutos antes, e nada assinalou. Pior: antes disso, já eu tinha sido alvo de duas agressões. Os ânimos exaltaram-se; alguém tinha de ‘explodir’… Lamento, estou arrependido, mas já não posso voltar atrás", argumentou o então avançado do Benfica, de 'olho à Belenenses', nariz partido… e cotovelo a ferver. 
‘Bom dia colega’… de quarto
A rivalidade extravasa as quatro linhas e ameaça a estabilidade no seio da Seleção. António Oliveira não faz por menos e toma uma decisão… bizarra, mas eficaz.

A 6 de outubro de 1994, em plena qualificação para o Euro’2006, convoca os dois jogadores e… junta-os no mesmo quarto.

Paulinho Santos aceita com bonomia, os colegas gozam o prato e João Pinto vai aos arames perante o que entende como uma falta de respeito.


António Oliveira não recua. Pior: ameaça o benfiquista. Ou aceita ou é dispensado. É 'pegar ou largar'. João Pinto acata a ordem e Paulinho hasteia a bandeira branca. Por pouco tempo... 
Tudo para a rua!
Passam-se nove clássicos e os episódios pelo meio não passam de mimos quando comparados com o que aí vinha… A 3 de janeiro de 1998, a rivalidade atinge proporções surreais com contornos… anedóticos. O FC Porto bate o Benfica com dois golos de Artur, na 15.ª jornada de 1997/98. Há mosquitos por cordas, um desaguisado de todo tamanho. Paulinho Santos e João Vieira Pinto no olho do furacão, pois então.


Os dragões ganham 1-0. Nuno Gomes vai à linha cruzar, Rui Correia amarra a bola, João Pinto agarra-se à cara, Paulinho encolhe os ombros. Ali há gato… O capitão do Benfica queixa-se de uma cotovelada, mas ninguém lhe dá razão. Siga. Minutos depois, vendo António Costa envolto num molho de jogadores, JVP apanha o rival distraído e prega-lhe uma chapada.
Os portistas agitam-se, o árbitro apercebe-se da confusão, mas não vai além da repreensão. Costa vira as costas e Paulinho não espera dois segundos para aplicar nova cotovelada no rival. Quando este lhe responde com um pontapé, já vai com o maxilar pendurado… Vermelho! Pela primeira e única (!) vez em 21 jogos entre si, vão os dois para a rua.
"Alguém viu?!"
No final desse clássico, Paulinho diz-se vítima de uma campanha. "Alguém viu? Mostrem as imagens, carago! Mostrem!" O médio do FC Porto, tinha razão: não era possível vislumbrar qualquer agressão sua através da transmissão da RTP.

Esqueceu-se foi que a televisão estatal já não era a única presente nos grandes jogos… Paulinho foi ‘tramado’ pela TVI, que apanhara todo o filme. Aliás, à hora a que este desafiava tudo e todos a mostrarem imagens, já estas entravam casa adentro dos portugueses pela janelinha do cantinho direito das televisões, comprovando a agressão que protagonizara.

A federação visa Paulinho com base nestas imagens. O castigo é tão exemplar quanto inédito: suspensão total de todas as provas internas enquanto o colega de profissão não estivesse apto a competir. Contas feitas, três meses fora para cada um.
O intruso argentino
Passam-se mais dois clássicos entre águias e dragões até que João Pinto vira leão. Jogam quatro vezes entre si desde então, sem registo de incidentes… entre ambos. Nesses tempos, já Paulinho elegera novo ódio de estimação: Beto Acosta. Ficam célebres dois confrontos entre ambos.

No Jamor, na final de 2000, Paulinho agride Acosta, que responde segundos depois, com uma cotovelada discreta mas ruinosa para o portista, que acaba no hospital com o maxilar perfurado e o Euro’2000 arruinado.

Meses depois, no primeiro confronto entre João Pinto e Paulhinho num Sporting-FC Porto, o portista é expulso por agredir… Acosta. Estava servida a vingança, num golpe de karaté que não apanhou o árbitro José Pratas por centímetros…

‘Adeus… amigo!’
As feridas vão sarando, o ódio desvanece, a amizade surge. Em junho de 2003, as Antas vestem de gala para saudar José Mourinho e a conquista do campeonato, três épocas depois do último.
O jogo não começa sem um tributo a Paulinho. O guerreiro das Caxinas pendura as botas e só não faz ali o último jogo por culpa de uma lesão contraída uma semana antes.
Antes do apito inicial, o momento por que ninguém esperava. João Pinto, que faria dupla atacante com Cristiano Ronaldo na consagração do FC Porto, é chamado ao centro do relvado. "Venham de lá esses ossos". Desta vez... sem os partir. Até então arqui-inimigos, João Vieira Pinto e Paulinho Santos trocam camisolas e selam as pazes com um abraço daqueles. 

AS MÁSCARAS DA INDIGNAÇÃO



 A semana passada, nestas colunas, perguntava se "alguém quer ser ‘campeão do vírus’?"
Estamos todos com muito pouca vontade de falar de futebol, da época que foi suspensa e dos cenários que se colocam, resultantes desta paragem. Apesar do isolamento social a que estamos confinados, contrariado por alguns líderes políticos que acham necessário sacrificar mais de 1 milhão de vítimas para ‘salvar’ as economias, o Mundo não pára e não podemos ignorar as decisões políticas, as orientações das autoridades e dos técnicos de saúde e também as consequências económicas, mesmo aquelas que estão relacionadas com a indústria do futebol.

Curiosamente, não há competição, não há jogo, o mais importante no futebol, mas há muita coisa para falar, analisar e debater, à margem das lógicas comunicacionais de sempre, se foi penálti ou não, se a dialéctica do Benfica é melhor do que a do FC Porto e vice-versa, se o Sporting é ou não para soterrar debaixo da obstinação dos guerrilheiros profissionais, e este é o tempo para a corporação do futebol começar a mudar aquilo que era importante já ter sido mudado, muito tempo antes da eclosão desta pandemia que a todos ameaça.

A pergunta aqui colocada na semana passada não foi respondida, pelo menos de forma pública e nem se esperava que fosse, mas já se adivinhava que o silêncio (comprometedor) iria imperar.

Pinto da Costa quer que o FC Porto seja ‘campeão do vírus’.

Luís Filipe Vieira ambiciona que o Benfica ainda se possa sagrar ‘campeão do vírus’.

O País precisava que nesta altura as duas grandes instituições dessem um sinal de nobreza e de entendimento sobre o momento dramático que vivemos.

Não interessa que a pandemia não esteja controlada; não interessa que muitas outras pessoas vão morrer; não interessa sequer se estão garantidas as condições necessárias (físicas e psicológicas) para se competir; não interessa se esta mobilização do futebol, supostamente afastada do resto da sociedade, não vai criar maiores problemas no objectivo principal de se mostrar um cartão vermelho ao vírus e irradiá-lo do nosso território.

O problema do impasse da época das competições profissionais começa aqui: os dois presidentes dos dois clubes que ganharam entretanto vantagem a ponto de poderem conquistar o título de 2019-20 estão agarrados à expectativa de poderem juntar mais um título de campeão nacional aos seus currículos e não abrem mão disso, mesmo quando são confrontados com o registo diário de mortes em Portugal, na Europa e no Mundo e, também, sabedores que a conclusão da temporada vai colocar aos profissionais de saúde um stress adicional, com consequências directas ou indirectas para a própria comunidade.

Antes do debate sobre as soluções do presente e respectivo enquadramento no futuro incerto que nos espera, há que fechar, todavia, o tema da conclusão da presente temporada e gostaria de deixar bem clara, em resumo, a minha posição sobre o tema:

1. Sou a favor de não atribuição do título correspondente à actual época de 2019-20.
2. A actual classificação da Liga serviria para designar as equipas a jogar na próxima época na UEFA (FC Porto e Benfica na Champions e SC Braga e Sporting, na Liga Europa).
3. Não haveria final de Taça nem portanto designação de vencedor.
4. Não haveria subidas nem descidas.
5. As equipas neste momento em posição de subida (Nacional e Feirense) seriam compensadas na próxima época com + pontos à partida e/ou com prémio financeiro.
6. A indicação de um vencedor do campeonato (à semelhança do que fez a Liga belga) não me parece ser a melhor solução, mas seria preferível a criar-se a expectativa de jogos em Julho (à porta fechada), com consequências/riscos ao nível do sector da saúde.
7. As soluções devem ser achadas no sentido de não potenciar mais vítimas e proteger os técnicos e o próprio sistema de saúde.
8. Sem este stress adicional, em cima da incerteza, tornar-se-ia mais fácil arranjar soluções para mitigar os efeitos decorrentes desta paragem forçada e preparar a próxima época. Estas soluções visam também a protecção dos atletas, e espanta que a FIFPro não tenha sobre esta matéria uma posição clara e de força. A FIFA e as suas confederações — a UEFA, no caso europeu — deveriam chegar-se à frente para compensar os prejuízos entre Abril e Junho.
9. É bom não esquecer que em Itália a propagação do vírus pode ter começado com as aglomerações em estádios de futebol.
10. Todas as soluções devem passar pelo princípio de que as nossas vidas não são negociáveis, e é essa mensagem que o Futebol não está a passar, embora saibamos que a este nível as recomendações da Organização Mundial de Saúde e os respectivos ministérios, em cada País, serão determinantes.

Repito: em toda esta incerteza e sempre sob o risco de condicionar e ferir a integridade de duas épocas futebolísticas de uma assentada — uma vez que é muito difícil assegurar a ‘normalidade’ em 2/3 meses —, o problema maior é jogar-se (previsivelmente à porta fechada) sem que o surto da Covid-19 esteja totalmente controlado. Não seria muito melhor encerrar esta época, a FIFA e a UEFA monitorizarem e subsidiarem, juntos das respectivas Federações (e estas com as Ligas), os custos desta paragem e começar a próxima temporada nas datas previstas, se necessário com pequenos ajustamentos de calendário, uma vez que estaremos em época de Europeu e de Mundial de Clubes?

Depois do que aconteceu e está a acontecer principalmente em Itália e Espanha, acham mesmo — saindo das nossas fronteiras, porque este é um problema global — que há condições éticas e de gestão psicológica do momento para os campeonatos recomeçarem?

É uma perfeita loucura. Já se viu e ouviu de tudo, propostas de isolar estádios, jogadores, treinadores, médicos, fisioterapeutas, pessoal das estruturas de apoio, e o problema — pela dimensão do negócio e ninguém querer chegar-se à frente— é que esse tipo de propostas vem de todo o lado, até do Reino Unido…

Em caricatura, só falta os estádios usarem máscaras; as bolas usarem máscaras e os jogadores a concluirem as competições de máscara a tapar o nariz e a boca — e a lavar as mãos e a manterem a distância táctica e social de 2 metros, mesmo depois de terem sido submetidos aos testes a que largos sectores da população não têm acesso…

As máscaras da indignação que nunca mais chega.

A Bélgica e a Holanda estão a colocar a saúde à frente do reatamento das competições (sendo certo que é preciso encontrar soluções para o negócio, no imediato) e Sérgio Conceição resumiu — como outros protagonistas já o fizeram, como por exemplo Jonas — o essencial: "Sei que há muitos interesses, mas o mais importante é a saúde das pessoas".

O futebol vai ter de mudar. E é essa mudança que interessa considerar. Por exemplo: em Portugal, os clubes portugueses gastam num ano mais de 83M€ em comissões. Imagine-se este dinheiro utilizado para financiar a saúde do futebol profissional no seu todo. Voltarei ao assunto.
daqui

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O TONI DO BENFICA

NO JARDIM

MENTIROSO

Lá está!, tal como comentado na caixa de comentários, o post de ontem intitulado FC Porto - Benfica no Play Off, era uma brincadeira mentirosa do administrador deste blogue.
 
Adiante, em relação ao que nos interessa verdadeiramente em relação a esse tema, aqui fica a notícia completa e, verdadeira.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

MICHEL PREUD'HOMME

FC PORTO - BENFICA NO PLAY OFF

O Campeão desta edição da Liga Nós será encontrado num Play Off entre FC Porto e Benfica a disputar no dragão (1ºjogo) e no Algarve na primeira semana de Maio e à porta fechada. (notícia em actualização).
 
Foi o que saiu hoje da reunião da Liga de Clubes. Restantes jogos para apurar quem vai às competições europeias, quem sobe e quem desce de divisão, só amanhã será decidido.


Bardamerda para a maioria dos analistas

  Ansioso para ler e ver o que tem a dizer os 'cientistas da bola', depois de anteontem o Barcelona ter 'empacotado' 8 batat...