Infelizmente, ainda há alguns energúmenos das claques que continuam a fazer o que melhor sabem - merda.
É bom que se diga que não há inocentes em nenhuma das claques que pululam neste país à beira mar plantado.
Há também por aí, muito boa gente que quando há desgraças com adeptos do Sporting, associam logo às duas mortes lamentáveis que já aconteceram envolvendo adeptos do Benfica. É lamentável que tenham acontecido essas mortes, há muitas outras que também já aconteceram indirectamente e muita gente nem conhecimento teve.
Agora, é bom relembrar que asDUAS mortes a que reportagem em baixo se refere, nada tiveram a ver com o rival de sempre do outro lado da segunda circular.
Repito, é lamentável todas as mortes que tem acontecido envolvendo claques e não só, sou defensor que se castigue exemplarmente quem as comete ou quem está por detrás delas.
E, o que aconteceu verdadeiramente nesse dia em Alvalade?
Pois é...com a fúria que sentiam com chegada da comitiva do FC Porto, alguns adeptos leoninos estavam desejosos de bater palmas e oferecer pipocas?!
Não meus amigos, queriam fazer porcaria e infelizmente o varandim cedeu.
Era um Benfica com grandes dirigentes, com destaque para Gaspar Ramos que soube fazer aquisições de nomeada para o Benfica andar sempre perto da glória europeia. Mas, lá está, o Benfica não conseguiu levantar a 'orelhuda' nessas duas finais de 1988 e 1990. Mas, só perdem finais quem lá está.
Em baixo, um excelente trabalho do Tribuna Expresso e o resumo da final de 1990.
Há 30 anos, o Benfica esteve pela última vez na final da Taça dos Campeões Europeus. E caiu frente ao melhor Milan que muitos se lembram Foi no Estádio do Prater, em Viena, que o Benfica jogou a sua última final da precursora da Liga dos Campeões. Do outro lado estava o AC Milan de Sacchi, com Maldini, Baresi, Costacurta, Gullit, Ancelotti, Van Basten e Rijkaard, que haveria de marcar o único golo de um jogo muito equilibrado, tático, praticamente sem oportunidades. Toni e Vítor Paneira recordam à Tribuna Expresso aquele 23 de maio de 1990
As maldições são coisas das nossas cabeças, mas no futebol que las hay, las hay. Por isso, nunca fiando. Terá sido esse o pensamento de Eusébio, quando em 1990, antes do Benfica defrontar o AC Milan no Estádio do Prater, na final da Taça dos Campeões Europeus daquele ano, visitou a sepultura de Bela Guttmann, falecido nove anos antes precisamente em Viena.
Em 1962, depois de levar o Benfica a dois títulos europeus seguidos, o técnico húngaro, despeitado por não se sentir reconhecido na Luz, terá ditado que nem em 100 anos os encarnados voltariam a sagrar-se campeões europeus.
Antes daquela final em Viena, o Benfica já trazia quatro derrotas em finais da Taça dos Campeões Europeus às costas, todas depois da dita maldição. Eusébio, homem de superstições, acreditou que aquela visita à campa do homem que o havia treinado nos anos 60, poderia reverter a praga.
Mas não. No final do jogo entre o Benfica de Eriksson e aquele super-AC Milan, a maldição de Guttmann sobreviveria - e sobrevive até hoje. Foi há exatamente 30 anos.
A 23 de maio de 1990, o Benfica voltava à final da precursora da Liga dos Campeões dois anos depois de perder nas grandes penalidades em Estugarda frente ao PSV. Veloso falhou então o penálti decisivo e falharia a final de 1990, castigado depois de levar um amarelo na mítica meia-final frente ao Marselha, que a mão de Vata resolveu. Antes disso, o Benfica tinha ultrapassado sem dificuldades o Derry City da Irlanda, o Honved da Hungria e o Dnipro da então URSS. E se o Marselha era uma das mais talentosas equipas da Europa naquele início dos anos 90, o AC Milan era, talvez, a melhor das melhores, mesmo que dentro de portas o scudetto tivesse fugido para o Nápoles de Maradona.
Na defesa, Tassotti, Baresi, Costacurta e Paolo Maldini; Rijkaard, Ancelotti no meio-campo e Ruud Gullit no apoio a Marco van Basten na frente - na sua biografia, “A minha história”, Sven-Goran Eriksson, escreve o que estava no pensamento de todos: “À partida, pareciam invencíveis”.
Mas Eriksson e o então adjunto Toni acreditavam na vitória. A Serie A havia terminado mais cedo, por causa do Mundial de 90, que a Itália organizaria no verão. Eriksson conta na sua biografia que acreditava que isso podia ser uma vantagem para o Benfica.
Ligamos a Toni, que dois anos antes era o técnico principal quando o Benfica caiu nas grandes penalidades na final europeia contra o PSV.
“Não me vai falar da maldição do Bela Guttmann, pois não?”, diz-nos, antes de soltar uma gargalhada. Três décadas depois, Toni não tem dúvidas que tanto frente aos holandeses como na final de 90, o Benfica estava longe de ser favorito
“Aquele Milan é o melhor Milan que eu me lembro. Ainda tenho uma cassete antiga, em VHS, de um jogo Bayern Munique-Milan do Arrigo Sacchi e aquilo é uma aula de trabalho de zona. É fantástico”, comenta, antes de passar para o jogo propriamente dito.
NEAL SIMPSON - EMPICS/GETTY
“Trabalhámos muito a organização defensiva para esse jogo porque tínhamos perdido o Veloso na meia-final com o Marselha. E então fizemos uma adaptação, com o Samuel. O próprio jogo veio a traduzir isso mesmo. Foi um jogo em que as oportunidades, quer de um lado quer do outro, não abundaram. Da nossa parte nem sei se aconteceram”, relembra Toni. “O Milan também não teve muitas. Foi um jogo marcadamente tático porque eles também não conseguiram impor a superioridade individual e coletiva que tinham, não a traduziram no jogo”.
Taticamente, o Benfica conseguiu quase sempre anular aquele poderoso Milan. Gullit e Van Basten raramente tiveram margem de manobra. Mas na hora de atacar, o Benfica pouco ou nada conseguiu frente àquela defesa de Arrigo Sacchi.
“O Benfica, face ao poderio do adversário, organizou-se bem. Não se demitiu de poder ganhar, mas perante uma equipa daquelas sabíamos que, ao expomo-nos mais, com certeza que as coisas poderiam ser diferentes. Da forma como o Benfica se organizou, o Milan não pode marcar uma superioridade tão grande como à priori se poderia pensar”, sublinha ainda o treinador português
E num jogo quase sempre equilibrado, o golo apareceu numa das únicas desatenções do Benfica: aos 67’ Rijkaard teve espaço, avançou até à baliza de Silvino e não falhou.
“Tínhamos consciência que íamos jogar contra aquela que era seguramente a melhor equipa da Europa. E que o Milan partia com um grau de favoritismo. Tínhamos de ser inteligentes, ia ser um jogo muito tático e todos sabiam que a equipa que cometesse menos erros era a que teria mais possibilidades de vencer”, relembra Vítor Paneira. “Nós cometemos um erro e foi fatal, um erro coletivo em que nós perdemos o controlo do corredor central e o Rijkaard foi por ali fora e fez o único golo”.
O Benfica tinha então a experiência de Eriksson, que conhecia bem o futebol italiano. “Batemo-nos de igual para igual, foi um jogo de equilíbrios e bastou um golo”, recorda ainda Paneira, que diz que num jogo tão fechado, aquele golo de Rijkaard foi uma espécie de sentença. “Percebemos ali que dificilmente conseguiríamos ganhar. Eu penso que era daqueles jogos para se resolver nas grandes penalidades, porque nenhuma equipa se sobrepôs à outra. Foi o jogo naquela edição da Taça dos Campeões Europeus em que o Milan menos dominou o adversário”, frisa ainda o antigo extremo direito, que jogou no Benfica entre 1988 e 1995.
UM SUPER-MILAN
Apesar dos títulos europeus em 1988/89 e 1989/90, o AC MIlan falharia no campeonato em Itália, onde só voltou a ser campeão em 1991/92. Mesmo não sendo totalmente dominante, aquela equipa ainda é hoje recordada como uma das melhores da história do futebol.
“Aquele trio holandês, quer física quer taticamente eram jogadores fabulosos”, diz Toni. “O Baresi, que era líbero, o Donadoni, que jogava muito… mas não eram só os jogadores, era a forma como a equipa era treinada. Os princípios da zona estavam todos ali, era uma equipa curtíssima, compacta, que atacava e defendia sempre muito junta entre os setores e isso era fruto da ideia e da concepção que o Sacchi tinha”, explica ainda o então treinador-adjunto do Benfica.
ALESSANDRO SABATTINI/GETTY
Vítor Paneira, que nesse 23 de maio de 1990 teve como polícia um tal de Paolo Maldini (“Para mim, um dos melhores laterais de sempre”), lembra que aquele Milan era “a base da seleção italiana e também da seleção holandesa” da altura. “Era uma equipa poderosa pelas individualidades, pelo coletivo, pelo jogo tático e pela inteligência e frieza que tinha”, recorda. Mas o agora treinador lembra também que aquele Benfica vinha de duas finais europeias em três anos: “Estávamos a voltar a colocar o Benfica no topo do panorama internacional”. E a frustração de perder duas finais europeias por quase nada.
E depois há aqueles pormenores que se jogam fora de campo e para os quais o futebol italiano estava então bem mais preparado do que o português.
“Acho que cometemos alguns erros na preparação”, revela Paneira. “A final foi em Viena e o Milan fechou um hotel para a equipa. Ninguém podia entrar nesse hotel. E nós fomos para um hotel em que tínhamos 100 jornalistas à porta, milhares de adeptos a entrarem pelo hall de entrada, a tirar fotografias”. Isto porque, diz o antigo jogador dos encarnados, “o Benfica é o clube do povo”, que está sempre próximo dos adeptos. “Mas isso hoje em dia é impensável, há uma maior proteção das equipas. Não foi um erro propositado, mas estávamos expostos ao contacto, ao adepto, à fotografia, ao autógrafo, enquanto o Milan fretou um avião e ficou num hotel isolado, fora da cidade. Também é isso que faz uma equipa ganhar e há 30 anos já havia equipas a prepararem-se de uma forma mais rigorosa. Não vou dizer profissional, porque nós também éramos profissionais”.
O Benfica, que começou a época de forma demolidora, acabaria aquele 1989/90 sem títulos. “Uma época em que o Benfica não ganhe troféus é uma época de insucessos, embora uma presença na final da Liga dos Campeões seja muito importante. Ajuda a apaziguar a dor, mas não é suficiente”, diz-nos Vítor Paneira. Foi a última vez que o Benfica esteve numa final da Taça dos Campeões Europeus/Liga dos Campeões. Chegaria à final da Liga Europa em 2013 e 2014, mas a maldição de Guttmann continua a pairar.
Ao longo da minha vida profissional enquanto crítico, vem acontecendo com regularidade antecipar cenários, muitos dos quais se concretizam, como voltou a ocorrer agora com a situação difícil que Pedro Proença está a viver como presidente da Liga, muito acossado e com a cabeça a prémio na AG já aprazada para 9 de Junho.
Na verdade, assinalei há algumas semanas, mais concretamente em 4 de Maio, por força da gestão da crise pandémica que Pedro Proença vinha fazendo, e do mau-estar entretanto gerado, revelando algumas flutuações entre o discurso oficial e o discurso oficioso mantido com os clubes profissionais, que o líder da Liga Portugal "está a cavar a sua própria sepultura" e que "terá muitas dificuldades em seguir como presidente da Liga".
Bem dito, bem feito, como se está a verificar duas semanas depois.
Gerei essa convicção em função de alguns erros cometidos por Pedro Proença que se foram acumulando até perder a confiança de um conjunto significativo de clubes, alguns dos quais alojados em plena direcção, como por exemplo o Benfica e o Sporting.
O maior problema de Pedro Proença, que gera muitas proençadas, quase todas a provocarem efeitos contrários aos seus próprios desígnios e ambições, é querer ser… quem não pode ser.
Nos tempos de Gilberto Madail, por força do errático desempenho federativo, um presidente da Liga poderia ambicionar em ser mais do que uma Rainha de Inglaterra. A FPF entretanto modernizou-se, as selecções nacionais começaram a ganhar mais do que era habitual e a dupla Fernando Gomes/Tiago Craveiro foi conquistando junto do poder político (Governo e Presidência da República) e também nos areópagos internacionais uma base de crédito que antes não tinha.
Mudaram os protagonistas e mudaram as circunstâncias e é bom não esquecer que Proença apareceu na Liga, derrotando Luís Duque em eleições, seis meses depois de ter colocado ponto final na sua carreira de árbitro, sem nenhum lastro entanto dirigente desportivo.
Aliás, como sempre sublinhei, nunca me pareceu um bom princípio um ex-árbitro dirigir os destinos de uma Liga, mas essa é outra conversa e não cabe neste espaço de análise. Um ex-árbitro da qualidade de Pedro Proença deveria ter seguido a carreira no dirigismo da arbitragem, em cujo sector poderia ser muito mais útil…
Um presidente da Liga que se queira dar ao respeito tem de perceber as sensibilidades que existem na sua periferia, mas tem de definir um rumo e uma estratégia. Não pode andar subordinado aos humores, sempre muito oscilantes, dos principais protagonistas da bola indígena, e também não me pareceu um bom princípio recuperar os três emblemas maiores (Benfica, FC Porto e Sporting) para a direcção da Liga.
Pedro Proença quer ser o líder do futebol profissional e, neste processo, lidou muito mal com as ‘ingerências’ da FPF, que foi o interlocutor principal do Governo.
Não foi por acaso que o presidente da Liga foi, inicialmente, deixado para trás na reunião havida em São Bento entre membros do Governo e os três grandes, com a FPF.
Proença juntou-se ‘in extremis’ à comitiva e isso já era um sinal de profunda fragilidade, que deveria ter sido interpretada pelo presidente da Liga. Logo aí deveria ter colocado o lugar à disposição ou demitir-se para ganhar alguma respeitabilidade. Não o fazendo, ficou ainda mais frágil.
O presidente da Liga tem todo o direito em não querer ser a Rainha de Inglaterra e afirmar a sua liderança mas tem de perceber o ambiente que o rodeia e interpretar os sinais, sobretudo quando se está numa crise que coloca em causa a sustentabilidade de todo o edifício do futebol, e não apenas o do profissional. As cartas que enviou para a presidência da República e para o ministro da Economia, à revelia de qualquer tipo de diálogo, quer com a FPF, quer com os clubes e Direção, ainda por cima sem resposta, denunciam total falta de sensibilidade para compreender o mundo que o rodeia.
E a humilhação de ouvir o presidente da República dizer que ainda não havia recebido a carta e que ela deveria estar nos serviços da presidência?!…
Pensou Proença que ninguém iria saber e seria possível fazer um brilharete?…
... Mas qual brilharete?! A questão do ‘sinal aberto’ corresponde a um tema sensível e até recomendável ser equacionado, mas no tempo certo, isto é, ANTES das dinâmicas de desconfinamento que o Governo foi anunciando.
Numa lógica de confinamento e para não haver a tentação das pessoas saírem de casa, o tema faria até sentido, na perspectiva da defesa da saúde pública e do controlo sanitário.
Houve, de facto, esse momento, quando o futebol se achava como uma das principais excepções ao confinamento – nunca houve percepção pública de que o campeonato não iria ser reatado –, mas enviar uma carta já neste tempo de desconfinamento, com um contrato de patrocínio em vigor (NOS) e em fase de potencial negociação para um novo acordo contratual, é algo absolutamente incompreensível.
Parece até ingenuidade.
O anúncio público da NOS em revelar a não intenção de não renovar esse contrato de patrocínio é uma machadada com efeitos previsíveis: a decapitação do actual presidente da Liga.
Pedro Proença está a ficar sem base de sustentação para prosseguir as suas funções e a demissão do Benfica da direcção da Liga era o passo que faltava para esvaziar e comprometer a sua liderança.
Acredita Pedro Proença que o FC Porto pode ser o pára-quedas que evite uma queda com estrondo, depois de ter sido empurrado do precipício?
Se for isso, e insistir até ao limite na lógica de sobrevivência, ficará com a sua imagem ainda mais comprometida.
Pedro Proença não tem escapatória possível: não é só a contestação de muitos clubes. É a posição da NOS e a indiferença total da Presidência da República, Governo e da própria FPF.
Pedro Proença perdeu o jogo e, se quer manter alguma dignidade, não meta a cabeça na areia.
Há duas semanas que se percebia a crescente fragilização do presidente da Liga. Os erros que se sucederam revelam, mais uma vez, como em tantas outras situações, que não basta querer; é preciso… poder.
O poder que nunca teve e achou ter. E o pouco que tinha… não soube geri-lo.
O FC Porto 'espantou' a Europa do futebol com uma memorável conquista. Sou desse tempo, tempo em que muitos benfiquistas torciam pelos rivais nas competições europeias e o vice-versa também acontecia.
Basta relembrar a amizade pessoal que até existia entre o presidente do Benfica (o já falecido Fernando Martins, dono do Hotel Altis, onde o FC Porto ainda hoje continua a pernoitar nas suas deslocações a sul) e o actual presidente do FC Porto.
Depois, infelizmente, o presidente portista entrou naquela triste ideia de atacar o sul, e o Benfica em particular, por tudo e por nada e tudo se desvaneceu.
Hoje é muito raro ver um benfiquista a torcer na Europa pelo FC Porto e um portista a torcer pelo Benfica.
Culpado número um - Jorge Nuno (também de Lima) Pinto da Costa.
Faz hoje precisamente 30 aos que o malogrado Manuel Bento fez o seu último jogo oficial com a camisola encarnada. Após esse último jogo, Bento ainda fez parte do plantel do Benfica mais duas épocas, abandonando completamente o futebol a um mês de completar 44 amos. É obra.
Além de ter sido um excelente guarda-redes, foi também um enorme ser humano que tive o prazer de conhecer e ficar amigo, em 1998 aquando de um jogo de veteranos de antigas glórias da selecção nacional. Foi um prazer recebe-lo em minha casa, beber uns Whiskies e 'serrar' até ás 4 da matina. No dia a seguir, num domingo, foi vê-lo a partir das 16h00 a voar num pelado duro como se fosse um jogador amador com 20 anos. Bento já tinha 50 anos.
Ao serviço do clube da Luz, Manuel Bento realizou um total de 611 jogos, conquistou nove títulos de campeão nacional, seis Taças de Portugal e três supertaças, tendo sido ainda finalista da Taça UEFA em 1983. Bento somou 63 internacionalizações "AA" entre 1976 e 1986.
Atenção, o título deste post pode ser um bocadinho bruto, mas não me ocorre mais nada para desmistificar uma ideia enraizada no meu futebolístico cá do burgo.
O ilustre Bernardino Barros que gosta de perder tempo com fait divers, devia pôr a mão na consciência, pois faz parte dos 'cartilheiros' que nos querem vender a ideia que estejovem vale o que ele ainda não vale.
Nada tenho contra o miúdo, oxalá seja feliz e dê um grande jogador.
Agora, não me fodam com essa de que ele vale o valor da rescisão, nem metade vale...mas pronto, todos nós sabemos como são estas clausulas. Bastou o João Félix ser vendido como foi, para posteriormente o FC Porto usar este jovem como o novo João Félix.
Sabem quem sofreu com isso? O miúdo, ponto.
Quem quiser tirar dúvidas, pergunte ao treinador do FC Porto porque não aposta mais nele e o porquê de antes do interregno do campeonato ele passar mais tempo na equipa B do que na equipa principal.
Um dos piores jogos da história da canarinha, há quem diga que a final do mundial de 1950, perdida também em casa para o Uruguai, deixou mais marcas. Não sei, são opiniões respeitáveis.
A ausência por lesão de Neymar também explica alguma coisa. Não tenho dúvidas que os brasileiros jogariam com mais confiança e os alemães com muito mais respeito pela canarinha. Mas o futebol é isto. Em baixo, um vídeo de 10 minutos onde se observa uma equipa brasileira completamente perdida em campo, não só a nível táctico, mas mentalmente também.
Em tempos atribulados para os amantes do futebol, nada com recuar no tempo e, como tal, aqui fica um post sobre a última 'dobradinha' do Sporting.
Este era um Sporting fortíssimo, comandado pelo romeno Lazlo Boloni e com muitos bons jogadores no seu plantel. Foi a época em que Mário Jardel mais golos marcou em Portugal para o campeonato. Foram 42 para o campeonato, 55 em todos as competições, é obra. Nem no FC Porto nos anos dourados marcou tantos na nossa principal competição.
Recordar é viver,...e como tal, aqui fica um resumo de um derby de há mais de 30 anos, época em que Toni, pela primeira vez (do início ao fim) como treinador principal do Benfica venceu o seu primeiro campeonato nacional.
Este Benfica tinha uma equipa fabulosa, só para lembrar que no centro da defesa sobressaiam Ricardo e Mozer, no meio campo havia Valdo, Paneira, Diamantino, Ademir, Pacheco, Chalana e muitos outros, enquanto lá na frente as opções também eram de muita qualidade - Magnusson, Ademir, Vata, Lima, César Brito, um tal de Ricky que fez furor no Boavista, enfim...uma constelação de estrelas no futebol português.
No segundo vídeo, as saudosas reportagens de cabine, antes, durante e após o jogo.
Vamos lá a colocar então os pontos nos is, nesta fase denominada de ‘novo normal’ (que expressão mais infeliz!):
1. Quando a pandemia fez ‘parar o Mundo’, ou pelo menos travar as dinâmicas enlouquecidas, a indústria do futebol estava sentada em cima da sua sistémica arrogância, a empurrar com a barriga sinais de descontrolo e megalomania orçamental.
2. Essa indústria nunca percebeu ou nunca quis perceber que, no domínio da gestão financeira (clubística), alguma coisa estava profundamente errada e, mais dia menos dia, ia ser questionada e ameaçada perante o aparecimento de cada vez maior número de situações de pré-falência.
3. Não foi possível até agora travar os excessos de uma indústria global que sofre, entre outras, de duas patologias: 1) especulação negocial, potenciada por quem faz movimentar muitos milhões na periferia dos clubes ou das sociedades anónimas, provocando-lhes grave depreciação. 2) nenhuma intervenção ao nível da economia paralela do futebol, com muito pouca exigência na caracterização dos investidores e nas incompatibilidades que se geram entre eles e os agentes de intermediação, não se sabendo, às tantas, ‘quem é quem’.
4. A Covid-19 veio denunciar as profundas debilidades e contradições de uma indústria supostamente poderosíssima e a necessidade de um recuo urgente e, agora, inevitável e forçado.
5. A Covid-19 agravou uma situação disruptiva e desagregadora, a potenciar cada vez maiores desníveis entre uma classe de ‘clubes ricos’ e os ‘outros’ (classificados em diversos patamares de pobreza ou remediação); não foi a CAUSA do pânico que se gerou no futebol profissional, em Portugal.
6. A pandemia teve como primeira consequência, no futebol, a paragem dos campeonatos e com essa paragem a ‘Covid-19’ transformou-se no espelho que reflectiu a imagem de um rei… nu. Sim, nu.
7. O desporto-rei, esse maravilhoso ‘monstro sagrado’ capaz de agregar no seu regaço todo o tipo de sensações e habitualmente em condições de correr sobre montanhas e oceanos, apresentava-se afinal tão despido de recursos, talvez com uma parra de videira a esconder o seu verdadeiro… ‘género’.
8. O ‘género’ correspondente a uma daquelas figuras da banda desenhada que, com mais ou menos músculo; com mais ou menos massa cinzenta (massa tecnológica, melhor dizendo) se revelam inexpugnáveis e indestrutíveis, saciando e criando uma sensação de bem-estar entre os seus consumidores.
9. Este herói de banda desenhada e do ‘futebol artificial’ mostrou que, afinal, todos os músculos exibidos até 2020 eram resultado de perigosas combinações químicas, potencialmente explosivas.
10. Foi a paragem abrupta e sobretudo o quadro de pré-falência do futebol profissional que obrigaram a face mais visível do dirigismo desportivo a pressionar o Governo a permitir a retoma das competições, mas só no que diz respeito ao cumprimento do que resta da I Liga.
11. Esta obrigação de ‘não paragem’ da competição de elite determina uma série de distorções – e é preciso ter humildade para aceitar isso.
12. Sei que não é ‘politicamente correcto’, mas considero justa a revolta de alguns emblemas que foram as grandes vítimas das decisões da FPF e Liga: Praiense, Olhanense, Real Massamá, Fafe, Lusitânia de Lourosa, Benfica e Castelo Branco e ainda Cova da Piedade e Casa Pia. Eles foram fuzilados contra a parede de um interesse maior, que – para além das condicionantes e dos reflexos no plano sanitário – reduz a muito pouco o valor da verdade desportiva.
13. Não é para já o ‘fim do Mundo’, mas não ter qualquer juízo crítico sobre a realidade futebol pré-Covid, atrás dos resultados desportivos, é pior do que alinhar incondicionalmente a favor da retoma das competições, mesmo que isso produza vítimas indirectas e evidentes entorses na verdade desportiva.
14. O que nos querem dizer é que entre mergulhar numa bacia com ácido agora ou esperar pela forca mais tarde é preferível mergulhar na bacia.
15. O que não nos dizem é que o mergulho nessa ácida bacia não elimina o rótulo de ‘condenados’, se não houver uma rapidíssima marcha-atrás em relação aos clássicos procedimentos.
16. Todos desde o início tiveram a consciência do que representaria uma paragem.
17. É bom ter a noção, igualmente, de que houve sectores que paralisaram, como por exemplo o do turismo e não se gerou a mesma agitação.
18. Se estamos no domínio do risco e da protecção de indústrias, os critérios têm de ser justos e não resultantes de qualquer tacticismo eleitoral.
19. O futebol tem o seu peso na economia (0,2 do PIB), deve reorganizar-se e reflorescer, mas as suas organizações tutelares não devem pensar que, em qualquer contexto, representa a coisa mais importante das sociedades.
20. Esta paragem disse isso mesmo.
21. Seria bom que os nossos dirigentes desportivos de proa se convencessem que o futebol, com esta paragem, perdeu valor. E que a recuperação desse valor, noutros moldes, tem de ser feita à conta da aquisição de respeitabilidade e com o envolvimento de todos – e não, no caso português, com a aposta nos métodos e no ruído de sempre.
22. Tenho muitas dificuldades em acreditar nisso, mas a pandemia não trouxe apenas novas sensações. Trouxe novos imperativos.
23. O futebol vai ter de se regenerar. De encontrar novos caminhos, seguramente com uma nova mentalidade. De assentar os pés na terra e deixar de apostar em fórmulas mágicas e artificiais, que engordam a economia paralela.
24. Que venha, enfim, o que resta da ‘VírusLiga’, mas sempre conscientes de que ela – nas suas múltiplas deformações sanitárias, laborais, físicas, psicológicas, técnico-tácticas, etc. – só salva alguma coisa se todos estiverem empenhados em mudar tudo aquilo que levou o futebol português ao colapso.
25. A FIFA e a UEFA tinham de assumir responsabilidades que não assumiram (em tempo útil) e as federações e as Ligas serem envolvidas nesse processo.
26. Assim, temos este ‘novo normal’ que é, convenhamos, uma anormalidade, com efeitos que ainda ficam por apurar.
27. Não sei se já deram por isso, mas houve um futebol que morreu e o que lhe está a suceder vai sofrer e já está a sofrer enormes mutações.
28. Não sei se a ‘Liga Vírus’ já percebeu o filme.
29. Parece-me ainda demasiadamente convencida do êxito das velhas realizações.
30. A agitação que se vai seguir na procura do campeão nacional da ‘LigaVírus’ vai-nos fazer sentir ainda mais raiva perante a Covid-19.